Por Tatiana Pereira
Secretária de Estado da
Juventude
A
participação da juventude nas discussões sociais e políticas é um dos
principais desafios da democracia em todo o mundo e a sua inserção no processo
de desenvolvimento da sociedade é fundamental. Para isso torna-se necessário o
fortalecimento cada vez mais constante do regime democrático, pois sem uma
Democracia sólida, não há Direitos.
No
Brasil, o debate
sobre políticas públicas de juventude e participação juvenil avançou muito em
pouco tempo. Desde 2005, os avanços têm sido significativos e constantes. É
certo que ainda há muito por fazer, mas é inegável também que, nos últimos
anos, foi possível chegar a consensos importantes. Além do debate, nos últimos
10 anos, várias políticas públicas de juventude foram implementadas, ampliando
a garantia de direitos e da dignidade dos jovens brasileiros. São políticas que
favorecem especialmente a sua contínua formação e o acesso ao trabalho. Entre
os avanços, merecem destaque:
O Programa
Nacional de Inclusão de Jovens (ProJovem), com o objetivo de elevar a
escolaridade de jovens de 18 a 29 anos; O Programa Nacional de Acesso ao Ensino
Técnico e Emprego (Pronatec), que tem o objetivo de expandir e democratizar a
oferta de cursos de educação profissional e tecnológica no país; Programa de
Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (REUNI),
que ampliou as oportunidades de acesso ao ensino superior público; Programa
Universidade Para Todos (ProUni), contemplando milhões de jovens com bolsas
parciais e integrais em instituições de ensino superior privadas.
Merecem ser
ressaltados ainda os avanços no campo da participação e efetivação de direitos,
como a Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), criada em 2004 formular,
coordenar, integrar e articular políticas públicas para a juventude; o Conselho
Nacional de Juventude, que é responsável por formular e propor diretrizes da
ação governamental, voltadas para os jovens; a aprovação da Proposta de Emenda
à Constituição 138/03 - a PEC da Juventude - incluiu jovens de 15 a 29 anos
entre as prioridades do Estado em direitos como saúde, alimentação, educação,
lazer, profissionalização e cultura; e o Estatuto da Juventude, que entrou em
vigor em 5 de fevereiro de 2014 e consolidou os direitos dos jovens
brasileiros.
Estes avanços são
frutos de debates e discussões juvenis durante a realização das Conferências
Nacionais de Políticas Públicas de Juventude, um amplo processo de diálogo do
Governo Federal com a sociedade, com debates nas escolas, universidades, grupos
juvenis, e etapas municipais e estaduais.
Em 2015, foi
realizada a 3ª Conferência Nacional de Juventude, que debateu o tema “As várias
formas de mudar o Brasil”. A temática relaciona-se com o momento vivido pelo
país nos últimos meses, onde se acirram os ânimos, se formam lados e opiniões
diferentes sobre a conjuntura sócio-econômica e política no território
nacional. Afinal, qual o papel da juventude nesse cenário? Como fazer para criar
uma cultura de participação? Como podemos contribuir para o fortalecimento da
Democracia e das conquistas alcançadas nos últimos anos, a partir da luta
juvenil de vários setores? Qual a nossa ‘forma de mudar o Brasil’?
Na última
quarta-feira, dia 30, foi celebrado o Dia Mundial da Juventude. Além de
celebrar, a data é uma oportunidade de refletir qual o nosso papel no atual
cenário que se apresenta em nosso país, e como está nossa atuação nesse cenário.
A força transformadora da juventude sempre esteve e sempre deverá estar a serviço
da discussão, análise, reivindicação e proposição de ações para o bem comum, no
intuito de pactuar instrumentos de monitoramento e ação entre as redes de
organizações, com foco no controle social das políticas públicas de juventude.
A presença nos grupos de jovens do bairro, da igreja, nos grêmios estudantis, nos
movimentos de rua, nos conselhos municipais, entre outras instâncias, são
alguns dos exemplos de envolvimento dos jovens nos espaços propositivos do
cenário político da sua cidade, estado ou país.
No Maranhão, tivemos
em 2015, ano de conferência, números bastante expressivos de participação
juvenil no processo de realização das etapas no estado. Foram mais de 1000
jovens participando da etapa estadual. Isso depois de cerca de 16 mil jovens participarem
das etapas municipais e territoriais em mais de 100 municípios. A mensagem que
esses números deixam é que a juventude maranhense quer debater política pública
e quer se envolver nas discussões das ações que tem reflexo no seu presente e
futuro. A juventude mostra com essa participação, que não é mera expectadora,
mas quer ser protagonista dos processos decisórios da sua cidade, estado e
país.
Por entender que o
reconhecimento do jovem como sujeito de direitos passa pela construção de uma
nova imagem deste cidadão, o Governo do Estado tem desenvolvido ações
específicas para a juventude, garantindo ao jovem maranhense as condições de
tornar-se cidadão do mundo, sendo protagonista das mudanças necessárias para a
sua vida e de todo o estado. Especialmente através da Secretaria de Estado
Extraordinária da Juventude, a atual gestão estadual, tem articulado a formulação
de políticas públicas e a garantia dos direitos básicos como saúde, educação e
segurança. São
mais de 30 ações – diretas e indiretas, envolvendo diversas secretarias do
governo que interagem conjuntamente para viabilizar o amplo programa, formando
assim uma rede de promoção e inserção da juventude do Estado.
São investimentos
em políticas públicas estruturantes, que consolidam a pauta da juventude como
prioridade de governo no Maranhão. O programa CNH Jovem recebeu em 2015, na sua
primeira edição, um total de mais de R$ 4 milhões e oportunizou que 2 mil
jovens tirasse sua primeira carteira de motorista sem nenhum custo; para
implantação dos núcleos de educação integral, estão sendo investidos R$ 148
milhões na construção de 30 prédios escolares que funcionarão como espaço para
a prática de estudos, pesquisa, lazer e esporte dos alunos da rede pública nas
cidades mais populosas do estado; Estão sendo investidos R$ 30 milhões na
reestruturação da UEMA, com a construção de novos campi e adequação e melhorias
dos atuais; para a implantação dos IEMAs estão sendo investidos R$ 240 milhões
em 23 unidades que funcionarão em tempo integral, espalhadas por todas as
regiões do estado. Um total de R$1,5 milhão está sendo investido no financiamento de
projetos de pesquisa cientifica e tecnológica para o Ensino Médio por meio do
edital “Geração Ciência”, que beneficiará 400 jovens na sua primeira edição. Essas
são apenas algumas das ações que estão garantindo ao jovem maranhense as
condições de tornar-se cidadão do mundo, sendo protagonista das mudanças
necessárias para a sua vida e de todo o estado.
Por todos esses
avanços alcançados em nível nacional e pela prioridade da pauta da juventude em
nível estadual, é necessário que a força da juventude maranhense, assim como de
todo o Brasil, seja direcionada para a clara defesa da Democracia, de tudo que
foi alcançado nos últimos anos. Por isso, conclamamos os jovens para que
assumam seu papel de protagonistas nesse momento de turbulência política e não
tenham medo de defender o que foi conquistado a duras lutas e participação de
muitos. Nunca é demais reafirmar, que o contínuo avanço dessas conquistas, só
será possível com uma Democracia forte e cada vez mais consolidada.
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